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Debate sobre logística verde no evento do Cubo Itaú
Cases da Coca-Cola, ArcelorMittal e Natura pautam debate sobre logística verde no evento do Cubo Itaú
LogShare, LOTS Group e Natura compartilham iniciativas envolvendo frete colaborativo, uso de biometano e eficiência operacional durante encontro em São Paulo (SP)
Operações de backhaul entre empresas como Coca-Cola e ArcelorMittal, o uso de biometano pela Natura em Cajamar (SP) e frotas movidas a biocombustível no agronegócio brasileiro. Esses cases foram apresentados no Logística ao Cubo, evento realizado na última quinta-feira (7) pelo Cubo Itaú em São Paulo (SP).
As iniciativas surgem em um cenário no qual a logística é responsável por 9% das emissões globais de Gases de Efeito Estufa (GEE), com o transporte concentrando 90% desse volume. No evento, o sócio da McKinsey, Jorge Cerezo, apresentou dados de uma pesquisa da consultoria sobre logística verde e tecnologia durante participação no painel “Logística verde: a nova licença para operar”.
Segundo o levantamento, embora 64% das empresas do setor já tenham metas de redução de emissões, apenas 26% acreditam que conseguirão alcançá-las. Em entrevista exclusiva para a MundoLogística, o executivo destacou a importância da tecnologia na descarbonização da logística.
“O principal foco da pesquisa é mostrar como o uso da tecnologia pode garantir mais eficiência e encurtar o caminho para a paridade entre a logística verde e o diesel”, explicou.
Na visão de Cerezo, essas soluções já estão disponíveis, embora a adoção pelas companhias ainda represente um desafio. “Hoje, essas tecnologias já existem, mas nem todas as empresas sabem como utilizá-las de forma estratégica. É justamente a tecnologia que vai ajudar a reduzir essa diferença”, afirmou.
Nesse sentido, o executivo ressaltou a relevância de investimentos nesse segmento, já que 50% da redução de emissões na logística até 2030 pode vir da tecnologia. “A gente vê investimentos acontecendo em diversos setores, desde bens de consumo até o agronegócio. Isso mostra que não é um tema de um setor específico, mas uma escolha de priorização das empresas”, completou.
Tecnologia como ferramenta na logística verde
A LogShare é um exemplo de como a tecnologia pode ser utilizada na logística verde. A empresa tem o objetivo de reduzir as emissões de CO2 enquanto diminui os custos logísticos ao transformar fretes de retornos vazios em oportunidades de negócios.
Durante o painel, o fundador e CEO da companhia, Pedro Prado, destacou que cerca de 40% dos caminhões circulam vazios nas estradas brasileiras, o que resulta em um desperdício bilionário para o país. “Essa ineficiência representa um desperdício de 3% a 5% do nosso PIB, porque caminhões vão cheios de produto e voltam cheios de ar. Isso são US$ 30 bilhões de dólares desperdiçados”, explicou.
Segundo a LogShare, as iniciativas de otimização e colaboração logística desenvolvidas pela empresa geram, em média, redução de 25% nos custos operacionais e de 40% nas emissões para os parceiros.
Um dos exemplos citados pela LogShare foi a parceria entre Coca-Cola e ArcelorMittal. Na prática, a empresa orquestrou uma parceria de frete colaborativo entre o maior produtor de bebidas não alcoólicas do Brasil e a líder da produção de aço no país. Dessa forma, em vez de retornarem vazios após as entregas, os caminhões da Coca-Cola transportam bobinas de aço da siderúrgica no trajeto de volta.
Operação de backhaul
Além disso, recentemente, a companhia anunciou uma operação conjunta entre PepsiCo Brasil, Leroy Merlin Brasil e LOTS Group, empresa do Grupo Scania. A parceria implementou uma operação de “ida e volta” — backhaul — em um circuito logístico estratégico, utilizando um veículo movido a GNV.
“Acreditamos que o trabalho colaborativo é a chave para alcançar uma eficiência logística inigualável”, afirmou Prado na ocasião. Na visão do executivo, essa crença foi o “ponto de partida para desenhar uma sinergia sob medida entre empresas que compartilham propósito, dados e metas.”
“Esta operação simboliza o que há de mais avançado na logística moderna: interoperabilidade, eficiência e propósito ambiental em um mesmo fluxo de transporte”, apontou o executivo.
A operação funciona da seguinte forma: um caminhão da LOTS Group, movido a gás, transporta produtos da Leroy Merlin de Cajamar (SP) para Curitiba (PR). Na volta, o mesmo veículo, em vez de retornar vazio, é carregado com produtos da PepsiCo para realizar trajeto entre Curitiba (PR) e São Bernardo do Campo (SP).
Eficiência operacional e descarbonização
A LOTS Group ainda apresentou cases relacionados à descarbonização do transporte e otimização operacional. Um dos exemplos é o projeto desenvolvido com a Cocal, produtora do setor sucroenergético, que envolve a utilização de 44 caminhões movidos 100% a biometano nas unidades da companhia em Paraguaçu Paulista e Narandiba, no interior de São Paulo.
De acordo com o CEO da LOTS, Edson Guimarães, a substituição dos caminhões a diesel pelos modelos movidos a biometano deve representar uma redução de 41 mil toneladas de CO2 em cinco anos.
Segundo uma publicação do Valor Econômico, os veículos serão utilizados para transportar vinhaça, usada para produção de gás renovável da Cocal e como adubo nos canaviais. Além disso, serão economizados 19 milhões de litros de diesel nesse mesmo período.
A empresa ainda apresentou um case voltado à eficiência operacional em rotas de curta distância. Seguindo Guimarães, a empresa atuou na otimização de uma operação rodoviária de apenas 22 quilômetros, na qual os caminhões chegavam a levar cerca de oito horas para concluir todo o ciclo logístico.
Após a revisão realizada pela LOTS, esse tempo foi reduzido para menos de duas horas, o que permitiu viabilizar o uso de tecnologias mais sustentáveis na operação com uma paridade de custos.
Na visão de Guimarães, a eficiência operacional pode ser relevante para a descarbonização do setor. “Essa eficiência operacional é o grande ponto para destravar a logística verde em escala e atingir essa paridade dos custos”, ressaltou.
Colaboração na logística verde
Além da importância da tecnologia e da eficiência operacional para a descarbonização da logística, outro tema foi recorrente entre os painelistas: a colaboração entre empresas.
Para o executivo da LOTS, a colaboração entre empresas será essencial para destravar a logística sustentável em larga escala. “Existem inúmeras maneiras de habilitar isso. A palavra colaboração é algo que o setor escuta há muito tempo, mas é a colaboração real que vai destravar essa aceleração da logística sustentável”, afirmou.
A visão também foi reforçada pelo CEO da LogShare, Pedro Prado. “A gente preza muito por isso, a conexão de empresas para gerar otimizações, e, quando as otimizações são geradas, a gente divide os ganhos”, disse.
Cases da Natura
Essa colaboração também sustenta a operação de logística verde da Natura. Segundo a Sustainability & Business Integration Executive da companhia, Fernanda Facchini, a agenda de mudanças climáticas da empresa existe desde 2007 e depende da conexão com fornecedores e parceiros logísticos.
“A gente não faz nada sozinho, precisa trabalhar de forma colaborativa com os nossos fornecedores”, afirmou durante o painel. Nesse sentido, a empresa apresentou alguns projetos envolvendo parceiros, incluindo o uso de etanol em operações de last mile no Brasil com a Raízen e a Shell Box.
A companhia também apresentou um projeto implementado na fábrica de Cajamar (SP), desenvolvido em parceria com a Ultragaz, Copercarga e ReiterLog. A iniciativa envolveu a conversão da caldeira da unidade para operação com biometano e a instalação de uma estrutura de abastecimento para 28 caminhões utilizados na logística do local.
Para 2026, a projeção é de consumo anual de cerca de 3,5 milhões de m³ de biometano, volume equivalente ao consumo anual de aproximadamente 30 mil residências.
Esta publicação é baseada na matéria veiculada no Mundo Logística. Clique AQUI para acessar a reportagem.
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