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Descarbonização do transporte: eficiência antes do combustível
O modal rodoviário responde por 92,9% das emissões de CO₂e do transporte brasileiro, segundo o Inventário CNT 2025 analisado pelo ILOS. O dado explica por que o país ocupa a 6ª posição mundial em emissões absolutas do setor de transporte, mesmo com o transporte representando “apenas” 14% das emissões nacionais, uma fatia menor do que a média global de 16%, mas puxada por outros setores como agricultura e mudança de uso do solo. Em economias como Estados Unidos e União Europeia, onde o transporte responde por 31% e 26% das emissões, respectivamente, o peso do setor é ainda mais evidente.
Diante desse cenário, existe uma tentação natural: tratar a descarbonização do transporte como sinônimo de troca de frota ou de combustível. Mas essa não é a primeira etapa. Antes de decidir por eletrificação, biometano ou qualquer outra matriz, é preciso entender onde a operação perde eficiência. Quilômetros rodados sem carga, tempo de espera, rotas mal desenhadas e baixa ocupação dos veículos também aumentam a pegada de carbono, e corrigir esses pontos costuma ser o caminho mais rápido e mais barato para reduzir emissões.
Neste conteúdo, você vai entender por que a eficiência operacional precede a escolha da matriz energética, como os dados ajudam a identificar oportunidades de redução de CO₂, quando eletrificação e biometano fazem sentido e o que a LOTS Group discutiu sobre o tema na 32ª edição do Fórum Internacional Supply Chain, o ILOS 2026.
Você verá por aqui:
- Por que a descarbonização do transporte começa pela eficiência operacional
- Onde estão as emissões que podem ser evitadas na rotina logística
- Como os dados ajudam a identificar oportunidades de redução de CO₂
- Produtividade e sustentabilidade podem avançar juntas
- Eletrificação ou biometano: como escolher a matriz adequada
- Quando a eletrificação de frotas faz sentido
- Qual é o papel do biometano na descarbonização do transporte rodoviário
- Por que a transição energética precisa fechar a conta
- Descarbonizar o transporte exige colaboração entre diferentes setores
- O que a e-Dutra pode ensinar sobre logística verde
- LOTS leva a discussão sobre logística verde ao Fórum ILOS 2026
- Da eficiência operacional à logística de baixo carbono
- Dúvidas comuns sobre descarbonização do transporte
Boa leitura!
Por que a descarbonização do transporte começa pela eficiência operacional
O modal rodoviário concentra a maior parte do desafio ambiental do transporte brasileiro. Segundo o ILOS, no ano-base 2023 o setor emitiu 190 milhões de toneladas de CO₂e, com a rodovia respondendo por 92,9% desse total, reflexo de uma matriz logística historicamente pouco diversificada e dependente de combustíveis fósseis.
Por isso, a descarbonização do transporte não deveria começar pela pergunta “qual combustível vamos adotar?”. A primeira etapa é a eficiência operacional na logística: onde a atividade atual desperdiça recursos? Consumo excessivo, baixo rendimento dos veículos, rotas inadequadas e tempo de circulação acima do necessário aumentam simultaneamente custo e emissão. Tornar a operação mais eficiente é, portanto, o primeiro passo antes de qualquer decisão sobre a matriz energética no transporte.
Onde estão as emissões que podem ser evitadas na rotina logística
Boa parte das emissões evitáveis não está na tecnologia do veículo, está na rotina. Quilômetros percorridos sem carga, ociosidade em pátios e portos, condução inadequada, planejamento deficiente e baixa utilização dos ativos elevam, ao mesmo tempo, custo operacional, consumo de combustível e emissões de CO₂.
Tratar esses gargalos como parte da operação, e não apenas como uma agenda de ESG, é o que diferencia a descarbonização da logística de um discurso institucional. Esse olhar operacional sustenta qualquer estratégia de redução de emissões no transporte, priorizando investimentos com impacto real, em vez de ações pontuais e desconectadas da atividade principal do negócio.
Como os dados ajudam a identificar oportunidades de redução de CO₂
Informações sobre consumo, rendimento dos veículos, rotas, velocidade, tempo de circulação e ocupação da frota formam a base de dados na gestão logística e permitem construir um diagnóstico preciso da operação. Esse acompanhamento contínuo é o que possibilita estabelecer uma linha de base de emissões, identificar desvios e mensurar, com números, o resultado de cada iniciativa implementada.
O Inventário CNT 2025 mostra que caminhões respondem por 34% das emissões do transporte rodoviário brasileiro, à frente dos automóveis flex, que somam 30%. Esse tipo de granularidade, aplicada à própria operação de uma empresa, é o que separa uma estratégia de redução de CO₂ na logística baseada em estimativas de uma estratégia baseada em evidência.
Produtividade e sustentabilidade podem avançar juntas
Uma das objeções mais comuns ao tema é a ideia de que reduzir emissões significa, necessariamente, reduzir a produtividade no transporte rodoviário ou aumentar custo. Na prática operacional, muitas vezes acontece o contrário: reduzir quilômetros improdutivos, otimizar rotas, diminuir tempo de espera e melhorar o aproveitamento dos veículos tende a gerar, ao mesmo tempo, redução do consumo de combustível e mais eficiência por tonelada transportada.
Isso não significa que toda ação sustentável reduza custos em qualquer cenário – cada operação tem sua própria equação –, mas mostra que produtividade e sustentabilidade compartilham boa parte das mesmas alavancas: menos desperdício, mais aproveitamento de ativos e rotas mais curtas.
Um exemplo prático desse equilíbrio aparece neste conteúdo que fala sobre a atuação da LOTS.
Eletrificação ou biometano: como escolher a matriz adequada
Ganhar eficiência energética no transporte não significa escolher uma única tecnologia. A escolha entre eletrificação, biometano ou outras alternativas depende de fatores como autonomia necessária, disponibilidade de infraestrutura de abastecimento ou recarga, distância percorrida, peso bruto transportado e perfil da carga.
Segundo o ILOS, a eletrificação ainda é incipiente no transporte de cargas brasileiro, limitada por custo de aquisição, autonomia de bateria e disponibilidade de pontos de recarga, enquanto soluções intermediárias como biocombustíveis e híbridos pesados tendem a ganhar espaço no curto e médio prazo. A decisão, portanto, precisa ser desenhada por operação e, muitas vezes, por trecho.
Quando a eletrificação de frotas faz sentido
A eletrificação tende a fazer mais sentido em rotas urbanas ou de média distância, com boa previsibilidade de percurso e infraestrutura de recarga disponível. Autonomia da bateria, características da carga e tempo de retorno do investimento também entram na análise de viabilidade.
O ILOS aponta que a eletrificação deve avançar primeiro em frotas urbanas e operações de previsibilidade mais alta, o que reforça o papel dos veículos elétricos na logística urbana e de média distância, perfil em que a tecnologia hoje apresenta melhor relação entre custo, autonomia e infraestrutura disponível.
Qual é o papel do biometano na descarbonização do transporte rodoviário
Em operações de longo curso, o biometano tende a se mostrar mais competitivo do que a eletrificação, hoje mais restrita por autonomia e infraestrutura de recarga. O papel do biometano no transporte rodoviário de longa distância reforça que sua adoção depende de fatores técnicos, econômicos e da disponibilidade de rede de abastecimento na região da operação.
O papel do biometano reforça um ponto central: uma estratégia de baixo carbono não precisa depender de uma única tecnologia. Ela pode, e muitas vezes deve, combinar diferentes matrizes conforme o perfil de cada trecho.
Por que a transição energética precisa fechar a conta
Um projeto de descarbonização só é sustentável no tempo se considerar, ao mesmo tempo, redução de emissões, investimento necessário, disponibilidade tecnológica, produtividade e impacto financeiro. Esse foi justamente o tema do painel “Bastidores da e-Dutra: como fazer a conta da logística verde fechar?”, no Fórum ILOS 2026.
Para Pedro Silvestrini, VP de Estratégia e Novos Negócios LATAM da LOTS Group, a estruturação da jornada de transição energética a partir de critérios objetivos é o que permite às empresas conciliar sustentabilidade, eficiência e competitividade, considerando as particularidades de cada atividade e os ganhos esperados sob as perspectivas financeira e produtiva.
Descarbonizar o transporte exige colaboração entre diferentes setores
A transformação do transporte não depende apenas de transportadoras e operadores logísticos. Embarcadores, montadoras, fornecedores de insumos, empresas de energia e operadores de infraestrutura também fazem parte desse ecossistema, e a troca de conhecimento entre esses agentes ajuda a direcionar investimentos e ampliar o acesso a soluções de baixo carbono.
Essa colaboração ficou evidente no painel do Fórum ILOS 2026, que reuniu a LOTS Group, a Volkswagen Caminhões e Ônibus e a Heineken, três elos diferentes da cadeia discutindo, juntos, como avançar a sustentabilidade no transporte rodoviário e fazer a conta da logística verde fechar.
Para entender melhor esse tipo de articulação entre setores, vale ler o conteúdo sobre colaboração logística e descarbonização.
O que a e-Dutra pode ensinar sobre logística verde
A e-Dutra foi o case no centro da discussão do painel liderado pela LOTS Group no Fórum ILOS 2026. Sem antecipar dados que ainda não foram validados publicamente, o projeto ilustra como soluções de baixo carbono podem ser estruturadas considerando, ao mesmo tempo, operação, tecnologia, infraestrutura e retorno econômico.
À medida que novos aprendizados e declarações sobre a e-Dutra forem apresentados, este conteúdo tende a ganhar novos desdobramentos, reforçando que a transição energética no transporte é um processo contínuo, não um evento único.
LOTS leva a discussão sobre logística verde ao Fórum ILOS 2026
A LOTS Group participou da 32ª edição do Fórum Internacional Supply Chain, o ILOS 2026, realizado nos dias 19 e 20 de agosto, no Sheraton WTC, em São Paulo. O evento reuniu representantes de cadeias de suprimentos para discutir as transformações em curso no setor.
No dia 19, Pedro Silvestrini liderou o painel “Bastidores da e-Dutra: como fazer a conta da logística verde fechar?”, ao lado de Priscila Freire Rocha, Head de Sustentabilidade e ESG da Volkswagen Caminhões e Ônibus, e Ligia Camargo, Diretora de Sustentabilidade da Heineken.
Segundo Edson Guimarães, CEO da LOTS Group, a redução do impacto climático de uma operação começa por identificar os gargalos existentes na rotina, e só depois discutir a substituição da matriz energética ou do veículo. Quilômetros percorridos sem carga, tempo de espera e desenho inadequado de trechos também pesam na pegada de carbono, e as informações disponíveis ajudam a localizar esses problemas antes de qualquer troca de tecnologia.
Da eficiência operacional à logística de baixo carbono
Construir um transporte rodoviário de cargas sustentável depende de uma lógica consistente: entender a operação, identificar ineficiências, melhorar produtividade, mensurar resultados, avaliar tecnologias e matrizes energéticas disponíveis e, só então, escalar as soluções que se mostrarem viáveis.
Como prova concreta desse caminho, em 2025 as operações geridas pela LOTS evitaram o consumo de mais de 2,3 milhões de litros de diesel em comparação à média da frota brasileira, o que evitou mais de 5.800 toneladas de CO₂e.
Esses números reforçam que dados, eficiência operacional e transição energética caminham juntos na construção de uma operação de baixo carbono em escala.
Quer entender melhor como a LOTS estrutura operações mais eficientes e sustentáveis? Conheça o que fazemos e explore outros conteúdos e insights no nosso blog.
Dúvidas comuns sobre descarbonização do transporte
- O que é descarbonização do transporte?
Descarbonização do transporte é a redução das emissões de gases de efeito estufa associadas à movimentação de cargas. Ela envolve eficiência operacional, tecnologia, matriz energética e gestão, e não se resume à troca de veículos ou de combustível.
- Como reduzir as emissões de CO₂ no transporte rodoviário?
A redução passa por otimização operacional, diminuição de quilômetros improdutivos, aumento da eficiência energética da frota e adoção planejada de alternativas de baixo carbono, como biometano, biodiesel ou eletrificação, conforme o perfil de cada operação.
- Veículos elétricos são indicados para qualquer operação de transporte?
Não existe uma resposta universal. A eletrificação tende a fazer mais sentido em rotas urbanas ou de média distância, com boa previsibilidade e infraestrutura de recarga disponível. Cada operação exige uma avaliação própria de viabilidade.
- Qual é o papel do biometano no transporte sustentável?
O biometano é uma alternativa energética especialmente competitiva em operações de longo curso, onde a eletrificação ainda enfrenta limitações de autonomia e infraestrutura. Sua adoção depende de fatores técnicos, econômicos e da disponibilidade de rede de abastecimento.
- Como começar um projeto de descarbonização logística?
O ponto de partida é o diagnóstico: estabelecer uma linha de base de emissões, acompanhar indicadores de consumo, rendimento e ocupação, identificar oportunidades de melhoria e, só então, avaliar as matrizes energéticas disponíveis para mensurar os resultados obtidos.
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